
O pai de família:
Sobre o livro
Às vezes, as datas dizem muito. Escritos entre 1964, ano do golpe, e 1978, quando o autor retorna do exílio francês, os ensaios reunidos em O pai de família constituem uma tentativa de resposta rigorosa e dialética aos dilemas que a conjunção de autoritarismo e modernização impunha tanto à vida política de todos como às posições clássicas da esquerda. Para dar conta do recado, Schwarz criou uma prosa singular, misturando a dicção vernácula de um Mário de Andrade às figuras argumentativas de um Theodor Adorno. Aqui, como na guerrilha, a regra fundamental é não permitir que se adivinhe o próximo movimento, donde o ziguezague do cinema de Ruy Guerra à arquitetura de Cristina Barbosa, de um perfil de Anatol Rosenfeld à ficção de Paulo Emílio Salles Gomes, da tradução oportuna de um conto de Kafka à pseudotradução de uma certa Bertha Dunkel. Crítica militante? Não exatamente. Os ensaios de Schwarz são antes regidos pelo esforço quase paradoxal de reflexão no calor da hora e parecem menos interessados em tomar posições inabaláveis do que em promover deslocamentos - conceituais, políticos e estéticos. À maneira, quem sabe, de João Gilberto, que "esfria sambas e boleros e os canta distanciadamente", à maneira de um Brecht baiano, brasileiro mas dialético.
Ficha técnica
- Autor
- Schwarz, Roberto, Roberto Schwarz
- Editora
- Companhia das Letras
- Formato
- Book
- Encadernação
- Capa comum
- ISBN
- 9788535912302
- EAN
- 9788535912302
- Ano de Publicação
- 2008
- Número de Páginas
- 184
- Dimensões
- 21 x 14 x 1.4 cm
- Peso
- 0.27 kg
- Idioma
- pt-BR
- Edição
- 1ª
- SKU
- d41d8cd98f00





