Novembro negro - Ferreira
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Novembro negro

Ano 2020Páginas 100Formato BOOKISBN 9786587090160

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Sobre o livro

A poesia não nasce, não surge; a poesia é um texto lapidado com uma porcentagem do “fingimento poético” (O poeta é um fingidor/ Finge tão completamente/ Que chega a fingir que é dor/ A dor que deveras sente. – Fernando Pessoa), alguns quilates do sofrimento real e muita reflexão sobre a melhor qualidade da palavra. Todo mundo pode escrever versos; alguns encontram a poesia no verso. Estar a serviço da escrita é decidir não passar pela vida em brancas nuvens. Quando um escritor faz esse pacto com o texto, decide entregar a sua alma para que seja dissecada pela multidão. Assim, escrever é ter coragem. Mais ainda, é exercitar a coragem que muitas vezes o poeta não tem... mas há um ditado popular que diz: se não tem coragem, vá com medo mesmo. Eu não sei se a Laodicéia tem medo. Mas sei que tem muita coragem. Não apenas de ser poeta, mas de ser mulher, de ser gente de bem e de enfrentar os problemas de frente para resolvê-los. Assim, com esta coragem ela se torna uma escritora. Não sei se o eu-lírico que assume o sentimento poético dos versos desta obra tem relação cotidiana com a autora, mas sei que ele incorpora a poesia que percorre os versos dando-lhes o tom literário. No percurso da leitura, percebemos que há muito mais do que o registro de sentimentos controversos. Há a representação de cada um que habita o mundo, mas se sente incomodado e não se acomoda. Como a poesia de Álvares de Azevedo, temos aqui versos soturnos que refletem desânimo e confusão: Nesse espelho enxergo meu futuro/ Com reflexos sombrios e obscuros (p.27). Mas ao mesmo tempo indicam também o niilismo que desacredita de qualquer sentido ou utilidade na existência. Mesmo subjetiva, sentimental e emotiva, a poesia de Laodicéia, em alguns pontos, reflete o racionalismo que se debruça sobre a escrita e pensa como moldá-la aos objetivos a que se propõe: Entrelinhas, por exemplo, faz uma reflexão aos que pretendem ser poetas, com uma indicação do que é a poesia: Se a poesia viesse subitamente/ Não se eternizaria sublimemente (p.35). Mas o eu-lírico não tem a pretensão de ensinar, apenas de marcar a forma de a autora significar para si o texto poético. Às vezes escandalizando as mentes mais conservadoras com estas chamadas ao oculto ou ao obscuro, os poemas vão se construindo na obra sem amenizar a palavra; também não há a preocupação da autora em abrandar os sentidos para tornar o texto menos indigesto. Com esta forma visceral de expor os sentimentos do eu-lírico, assim se faz a poesia que a autora entrega ao leitor sem medo e sem constrangimento.

Ficha técnica

Autor
Ferreira, SCOTTI, EDITORA, Luiz Carlos, Laodicéia, Laodicéia Ferreira, EDITORA SCOTTI
Editora
EDITORA SCOTTI
Formato
BOOK
ISBN
9786587090160
EAN
9786587090160
Ano de Publicação
2020
Número de Páginas
100
Dimensões
23 x 16 x 0.55 cm
Peso
0.16 kg
Idioma
pt-BR
Edição
1
SKU
9786587090160