Memória e exílio - Douek

Sobre o livro

Assim como a história concebida por Benjamin não é uma sucessão ininterrupta de acontecimentos, inscrevendo-se mais no tempo dos calendários do que no dos relógios, a filiação, tal como pensada por Mosès, Trigano ou Rosenzweig, também não é sucessão automática em que o filho apenas repete a experiência do pai, mas diz respeito ao tempo das gerações, tempo descontínuo no qual vêm se introduzir a morte e o novo. A tradição, a cada vez, corre o risco de morrer, e a palavra, de emudecer: é nesse hiato, nessa possibilidade da morte, do esquecimento e do silêncio que nascem tanto a possibilidade de uma fala como de uma memória. Portanto, tanto uma história lisa e sem fraturas quanto uma tradição sem interrupções e perigos são "armadilhas" do conformismo: a primeira porque escreve a história dos vencedores e a segunda porque se afasta do tempo e da história para criar verdades eternas e imutáveis.A ênfase na renovação não significa, de modo nenhum, recusa da tradição, mas uma nova concepção de tradição, que inclui o esquecimento e a fragilidade da narrativa e que precisa, hoje, de uma escuta mais atenta e tenaz. Assim como Benjamin queria escrever uma outra história, que pudesse "salvar" o passado, parece também ser possível libertar a tradição, inscrevendo nela novas possibilidades, novos significados colocados pelo "tempo de agora". Tradição e renovação não mais se excluem.

Ficha técnica

Autor
Douek, Sybil Safdie, Sybil Safdie Douek
Editora
Editora Escuta Ltda
Formato
BOOK
ISBN
9788571372177
EAN
9788571372177
Ano de Publicação
2003
Número de Páginas
240
Dimensões
21 x 14 x 1.5 cm
Peso
0.292 kg
Idioma
pt-BR
Edição
1
SKU
9788571372177

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