Sucupira não é aqui?: - Duarte Neto, Henrique

Sucupira não é aqui?:

R$ 49,70
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Ano 2023Páginas 72Formato BOOKISBN 9786553612150

Sobre o livro

Garçom, traz mais uma cerva/ bem gelada! O leitor desavisado que não se deixe enganar pela indagação no título deste novo livro de Henrique Duarte Neto. De forma alguma ele expressa uma dúvida, pois reafirma antes a veemência irônica de constatar afirmativamente a naturalização do absurdo que leva à certeza de se dizer que, sim, Sucupira é aqui, onde tudo é possível acontecer. E, nestes últimos anos, tendo à memória o que foi o país, tudo aconteceu de tal forma que aquela minúscula cidade imaginada por Dias Gomes, a Sucupira do histriônico prefeito Odorico Paraguaçu, de O bem-amado, pareceu confirmar a metonímia insinuada por Henrique: deixando de ser apenas a metáfora imaginada por Gomes, Sucupira cresceu de forma espetacular e se tornou o país. O Bem Amado demagogo e corrupto que iludia o povo simplório daquela pequena Sucupira, no litoral baiano, com seus discursos inflamados e verborrágicos, reencarnou sem farda, em fraldas (fraudes?!) geriátricas, num recruta zero, agora felizmente já decaído do cargo e muito ocupado em dar explicações à Justiça, após um período sintetizado num dos poemas: “Um Grão-duque expõe planos mirabolantes…/ Toda a tropa perdeu as calças e os fundilhos…/ Choram as viúvas de um palhaço sem graça…/ Já o cortejo espera pelo troar do clarim…”. Essa Sucupira transtornada e transformada, transparecendo querer retornar à farra com a constatação de que “O clima esquentou”, pede: “Garçom, traz mais uma cerva/ bem gelada!”. O lírico já etílico a essa altura carnavaliza em comparações inauditas o “Fim do Mundo”: “O apocalipse/ e a apólice de seguro” – “O juízo final/ e o juiz de futebol”. Nesse lugar fantasioso o que resta do legado grego não são filosofia, olimpíadas, tragédias, mas o beijo grego! Por isso, ainda que se vislumbre um senso de humor que tenta superar a ressaca, são notáveis as indagações poéticas que tateiam a identidade com a sensação de estranhamento: “tudo é miragem?/ contemplo o espelho/ e não me reconheço!”. O credo, um esgar, é apresentado desconcertante e enfraquecido: “entre a devoção e o rito,/ um hiato, um vazio,/ locus de um deus claudicante.” A consumição da natureza aponta a incontestável consumição do corpo e, diante desse impasse, sem futuro, resta a evocação do passado com amargor: o pau-brasil virou mastro de mentecaptos em meio a viúvas de vivos, fagueiras na fantasia da extinção do outro. Daí que entre o “crer e maldizer” da “nação vira-lata”, resta o senso de humor poético que tenta saídas nas constatações irônicas: o poeta marginal enriqueceu e, da Grécia, o legado que restou é o beijo grego. Estamos, portanto, em meio a um Humano Colapso anunciado, daí que, ué, “Sucupira não é aqui?”, então só resta ser enfático: “Garçom, traz mais uma cerva/ bem gelada!” Ademir Demarchi –

Ficha técnica

Autor
Duarte Neto, Henrique, Henrique Duarte Neto
Editora
Kotter Editorial
Formato
BOOK
Encadernação
Capa comum
ISBN
9786553612150
EAN
9786553612150
Ano de Publicação
2023
Número de Páginas
72
Dimensões
23 x 16 x 1 cm
Peso
0.15 kg
Idioma
pt-BR
Edição
1
SKU
2c3afe506d69

Histórico de preços