Selvagens bebedeiras: álcool, embriaguez e contatos culturais no Brasil Colonial (séculos XVI - XVII) - Fernandes, João Azevedo

Selvagens bebedeiras: álcool, embriaguez e contatos culturais no Brasil Colonial (séculos XVI - XVII)

R$ 89,00
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Ano 2011Páginas 240Formato BOOKISBN 9788579390685

Sobre o livro

Álcool, Embriaguez e Contatos Culturais no Brasil Colonial (Séculos XVI - XVII) Este livro explora o contato entre os sistemas etílicos postos em cena nos séculos XVI e XVII. De um lado, o sistema indígena das cauinagens – a bebida-alimento fermentada à base da mandioca –, cujas características e significados culturais são analisados à exaustão. De outro lado, o sistema etílico do colonizador português – o do vinho, também alimento! –, cujas origens e significados na história ocidental o autor apresenta em minúcias. Em meio a descrições, inclusive técnicas, sobre o fabrico das bebidas e os cerimoniais acoplados ao consumo delas, João Fernandes enfrenta diversos tabus – de que o assunto, em si mesmo, está cheio. Por exemplo, destaca o papel crucial das mulheres no sistema do cauim, relativizando o lugar secundário que a etnologia dedicou à condição feminina no mundo tupinambá. Outro exemplo: as peculiariades de cada subsistema etílico europeu – o dos vinhos, o das cervejas e o dos destilados, tudo assim mesmo, no plural, porque, conforme a sociedade ou o tempo, o significado das bebidas variava, sem contar que o tipo de cada uma das bebidas jogava papel decisivo no campo das relações sociais e representações ligadas à embriaguez. Voltando ao período colonial, Fernandes nos mostra a vitalidade cultural do cauim, mesmo depois de iniciada a colonização, embora a cauinagem tenha sofrido ataques frontais – quiçá fatais – sobretudo dos missionários. É possível dizer que a cauinagem foi dos poucos elementos culturais indígenas (a exemplo da antropofagia) com os quais a colonização/missionação se recusou a negociar. O sistema português do vinho, por sua vez, foi mais longevo, apesar do clima abrasador do trópico, porém limitado ao enclave dos poucos reinóis que viviam na terra. O fato é que nem os portugueses tentaram impor o vinho aos índios, nem esses meteram seu cauim goela abaixo dos colonizadores. O contraste silencioso entre o cauim e o vinho permite alcançar, de um lado, a trajetória agonizante da sociedade tupinambá e, de outro, as inadaptabilidades do português ao desterro colonial – apesar do que disse Gilberto Freyre e conforme sublinhou, em contrário, Sérgio Buarque de Holanda – dois grandes mestres. Nessa luta do vinho com o cauim – que, na verdade, não chegou a ser bem uma luta… – quem saiu ganhando foi a aguardente de cana – a cachaça – bebida mestiça e colonial. Melhor dizendo: bebida colonial e escravista, pois a jeribita foi moeda valiosa no tráfico de escravos africanos a partir do século XVII. Não por acaso, a história da cachaça no Brasil começa no momento em que a escravidão africana passou a prevalecer nas lavouras do litoral. Da embriaguez ao sistema colonial: o livro transita com desenvoltura entre a microanálise e as explicações globais, alterna escalas e observação, demonstra, em suma, que a história não é feita de compartimentos estanques. Nem de determinismos estéreis. Sobre o autor: João Azevedo Fernandes é historiador, com mestrado em Antropologia (UFPE) e doutorado em História (UFF). Foi professor da UFPB. Escreveu De Cunhã a Mameluca: a mulher tupinambá e o nascimento do Brasil (2003) e A Espuma Divina: sobriedade e embriaguez na Europa Antiga e Medieval (2010), além de artigos sobre a história indígena e das bebidas alcoólicas.

Ficha técnica

Autor
Fernandes, João Azevedo, João Azevedo Fernandes
Editora
Alameda Editorial
Formato
BOOK
Encadernação
Capa comum
ISBN
9788579390685
EAN
9788579390685
Ano de Publicação
2011
Número de Páginas
240
Dimensões
23 x 16 x 1 cm
Peso
0.3 kg
Idioma
pt-BR
Edição
1
SKU
08dd785dcc7a

Histórico de preços