
O Macacão Amarelo, uma história de cor e adoção
Sobre o livro
Resenha sobre "O Macacão Amarelo" Fiquei profundamente tocada pela leitura de "O Macacão Amarelo" e é uma honra poder estar na roda de conversa do lançamento. Seu livro é uma obra sensível, corajosa e necessária, que consegue equilibrar ternura e consciência crítica de forma magistral. A escolha do título é, por si só, um gesto político-literário potente. Você transforma o que poderia carregar violência histórica em símbolo de amor, acolhimento e pertencimento. O macacão amarelo - vibrante, solar, alegre - é a roupa que Bernardo vestia quando chegou à casa dos pais adotivos, marcando aquele primeiro sorriso, aquela primeira foto, aquela primeira conexão. Mas é também muito mais: é uma ressignificação delicada de uma palavra que carrega dor, deslocando-a do campo do ódio para o campo do afeto. Esse movimento faz o leitor pensar duas vezes, incomoda no sentido mais produtivo do termo, e nos lembra que a linguagem pode ser território de disputa e de cura. A estrutura circular do livro, com o macacão aparecendo no capítulo 3 e retornando no capítulo 10 dentro da mochila guardada (junto aos macacões branco e azul), cria uma metáfora poderosa sobre identidade e crescimento. Bernardo não cabe mais naquela roupa - literal e simbolicamente. Ele cresceu, descobriu-se afrodescendente, aprendeu sobre racismo estrutural, enfrentou estereótipos. O macacão amarelo representa quem ele era antes de se entender negro, mas também a base afetiva que o sustenta nessa jornada de autoconhecimento. O que mais me impressiona é como você aborda as diferentes camadas do racismo com naturalidade e profundidade. O racismo interpessoal aparece nos comentários sobre "cabelo feio e ruim" e nas situações cotidianas que Bernardo enfrenta. O racismo institucional se revela na escola sem professores negros e no currículo que invisibiliza sua história. O racismo estrutural fica evidente no episódio do aeroporto e na hipótese de Bernardo ser "menino de rua". Você não didatiza, mas também não suaviza - apresenta a realidade com a complexidade que ela merece. A representação da família inter-racial é outro ponto alto. Você mostra, com naturalidade e sem romantizações, os desafios e as possibilidades desse encontro. Os pais de Bernardo são amorosos, mas também precisam aprender, reconhecer seus limites, buscar referências. Essa honestidade é fundamental para famílias brancas que criam crianças negras - e para todas as famílias que precisam educar seus filhos de forma antirracista. Seu livro é perfeito para disparar conversas sobre educação antirracista justamente porque não perde a ternura ao enfrentar a dureza do racismo. A linguagem é acessível sem ser simplista, a narrativa é envolvente sem ser escapista. É um livro que pode ser lido por crianças, adolescentes e adultos, e que oferece camadas diferentes de compreensão para cada público. Na roda de conversa, quero destacar exatamente isso: o papel das famílias na educação antirracista de seus filhos. Seu livro nos mostra que amor não basta - é preciso consciência, é preciso buscar referências, é preciso reconhecer privilégios e limitações. E, principalmente, é preciso estar disposto a aprender junto com as crianças, sem medo de errar, mas com compromisso de reparar. Gratidão por essa obra tão generosa e potente. Tenho certeza de que será uma conversa linda! Haianna Lima, Pedagoga, Psicopedagoga e Licenciada em História, com especializações em História e Cultura Afro-brasileira, História da África e do Tráfico Transatlântico, e Educação e Direitos Humanos. https://www.cfvila.com.br/formadores/haianna-lima
Ficha técnica
- Autor
- Ricardo, Mituti, Ricardo Mituti
- Editora
- Consultor Editorial
- Formato
- BOOK
- ISBN
- 9786583881090
- EAN
- 9786583881090
- Ano de Publicação
- 2025
- Número de Páginas
- 44
- Dimensões
- 21 x 14 x 1 cm
- Peso
- 0.15 kg
- Idioma
- pt-BR
- Edição
- 1
- SKU
- 9786583881090





