O curso de geografia e história da FFCL/USP e a constituição de um campo disciplinar em São Paulo (1934-1968): - Roiz, Diogo da Silva

O curso de geografia e história da FFCL/USP e a constituição de um campo disciplinar em São Paulo (1934-1968):

R$ 86,00
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Ano 2021Páginas 518Formato BOOKISBN 9786586081602

Sobre o livro

Debruçar-se sobre o próprio ofício constitui um exercício exigente e por vezes árduo quando feito pelos historiadores e Diogo Roiz tem todos os méritos por ter construído há tempos uma trajetória significativa nessa direção. Com este trabalho sobre a trajetória da escrita da História e do seu ensino na (atual) Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH/USP), o leitor é guiado em um percurso historiográfico de grande relevância e rica contribuição para a compreensão do regime de cátedras vigente na instituição entre 1934 e 1968. Uma questão de fundo orienta a pesquisa documental e bibliográfica densa, a do surgimento do historiador profissional no Brasil. Para respondê-la são percorridas trajetórias institucionais e mais abrangentes de docentes e historiadores que implantaram as estruturas curriculares de História e de Geografia – assim foi o nascimento do curso – ao longo de décadas. Depoimentos e correspondências que expressam a escrita de si por docentes e seus alunos foram cotejados com documentos oficiais para que se desvendassem os procedimentos de contratação de professores, a implantação de estruturas curriculares e de programas de ensino e o trânsito do autodidatismo à adoção de cânones historiográficos hegemônicos na Europa, desde os metódicos até os participantes dos grupos da revista/“escola” dos Annales. Para além dessa perspectiva, o trabalho abre pistas sugestivas para a compreensão de outro aspecto da questão, a formação de professores para a educação básica em São Paulo, os antigos cursos primário e ginasial. Em plena expansão desse nível de educação formal, a adequada formação dos professores de História era tarefa a ser enfrentada num curso superior que dava conta também de formar pesquisadores num processo de ensino superior tardiamente iniciado se consideradas outras áreas, como o Direito e a Medicina. Para o autor, o surgimento da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas ocorreu não apenas em função do contexto da derrota pelas armas da reação paulista à perda de hegemonia política em 1932, como é comumente justificada sua fundação, mas também decorreu de um processo de modernização da sociedade brasileira pós-1930, em plena era Vargas. Nesse sentido, o balanço crítico da historiografia apresentado permite ao leitor acompanhar as nuances interpretativas da questão e enveredar pela análise centrada na apropriação dos aportes teóricos de Bourdieu e Sirinelli que se revelam fecundos para o estudo das trajetórias de intelectuais e suas formas de sociabilidade e das relações de poder nelas vigentes. É esse enfoque que autoriza o autor analisar a carreira universitária no regime de cátedras como majoritariamente masculina e apresentar os dados que permitem ao leitor discernir como contrapartida dessa sociabilidade formadora do reduto feminino, a expansão do ensino secundário que abria as portas para a formação de professoras, as quais surgem na pesquisa como alunas dos catedráticos. Contradições que revelam o descompasso entre os dois níveis de ensino, distanciados pela atividade de pesquisa, esta sim, reduto masculino por excelência, bem como a formação de um mercado de trabalho no ensino secundário com características muito peculiares. Docentes franceses em início de carreira abalaram-se do além-mar para formar aqui práticas historiográficas inovadoras em relação ao posicionamento metódico que impregnava o autodidatismo dos intelectuais brasileiros. De Afonso de Taunay a Alfredo Ellis Júnior, pioneiros do regime de cátedras, o estudo perpassa a presença de nomes da estatura de Braudel, o grande paradigma, além de Monbeig, De Martonne, Gagé, Deffontaines, para alcançar Sérgio Buarque de Holanda, Eurípedes Simões de Paula e Eduardo d’Oliveira França como consolidadores do curso que na década de 1950 abandonou a interdisciplinaridade restritiva da dupla formação para se tornar enfim o curso de formação exclusiva de pesquisadores e professores de História, com fértil produção de pesquisa e formadores de gerações de historiadores. Teresa Maria Malatian Professora Titular de Teoria e Metodologia da História na UNESP, Campus de Franca

Ficha técnica

Autor
Roiz, Diogo da Silva, Diogo da Silva Roiz
Editora
Alameda Editorial
Formato
BOOK
Encadernação
Capa comum
ISBN
9786586081602
EAN
9786586081602
Ano de Publicação
2021
Número de Páginas
518
Dimensões
23 x 16 x 2 cm
Peso
0.5 kg
Idioma
pt-BR
Edição
1
SKU
185d3272b61b

Histórico de preços