
Morte e vida seringal
Sobre o livro
Como podemos identificar o exato momento em que recebemos uma boa notícia? Eu estava amazonicamente, caboclamente deitado em minha rede, quando fui convidado pelo poeta cordelista e meu amigo Francisco Marcelino Santana para fazer o prefácio da trilogia de seu livro Poemas da vida amazônica. Então, no embalo da rede comecei uma viagem para pensar em poesia. E consequentemente, pensar especificamente em poesia nordestina. Procurei por origens, formas, linguagens e tipos. Fui visitar as obras de meus amigos poetas e repentistas pois eu queria entender o que é a poesia nordestina. Apenas puxei pelo fio do novelo e fui cair no universo diverso e rico da poesia. Essa foi uma demorada viagem porque não se faz de uma vez... é devagar... é por aproximação... também é preciso ser aceito. Pude ter acesso a algumas coisas e assim compreender, saborear, me deleitar passo a passo nesta onírica viagem rumo a poesia. A poesia é algo presente no pulsar da vida... É uma forma de olhar o mundo, a natureza e a vida de maneira primordial… A poesia tem rima, ritmo e também não os têm... O que é a poesia então? Simples: é linguagem fluída. É mais ou menos assim: quando penso em Drummond, me revela muito forte a memória e o lugar; já em Shakespeare sinto o despertar para a humanidade... Penso em Zé da Luz e tudo que é atribuído a Zé Limeira e percebo que tudo pode ser recombinado, reestruturado e o que chamo de realidade está livre para ser totalmente subvertida na “poesia do absurdo” onde todas as formas, coisas, naturezas se juntam, conversam e interagem; encontro Patativa do Assaré e vejo o homem sábio que se faz e dialoga com o mundo... Catulo da Paixão Cearense que enxerga as formas de maneira embevecida... Vou visitar meu amigo poeta Alberto Lins Caldas, que com sua poesia entra na escuridão para reencontrar e reacender a chama do humano que existe em cada um de nós… E Cora Coralina? É uma mulher que passa toda uma vida colhendo palavras e no auge de sua vida se autoimortaliza e explode em palavras e encantos... ao encontrar Manoel de Barros sou impactado por suas poesias que destroem qualquer arrogância, posse ou materialidade das “importâncias” e então eu entendo “das desimportâncias do mundo”... Lembro de José Accioly Cavalcante Neto que em seu poema “Natureza das coisas” diz: “a natureza não tem pressa, segue seu compasso, inexoravelmente chega lá”, trazendo para sua sua poesia a palavra “inexoravelmente”... Como trazer uma palavra tão complexa para a poesia? Resposta simples: para a poesia não há limites ou muros, então, tudo se torna inexoravelmente possível... O que é a poesia? Não sei. É expressão clara do espírito, a abrir o peito e mostrar o coração. É o ser humano se decompor em emoções e lágrimas e se reconstruir humanamente mais leve e mais puro. E a poesia nordestina? Seja a “poesia nordestina” ou cordel ou poesia do povo, com sua origem vinda dos mouros e ibéricos, é uma criação própria do Nordeste brasileiro. É a nossa brasileiramente encantada... Me encanta a sonoridade, a posição das palavras… As palavras têm sintonia, se combinam com outras palavras como uma sinfonia. O caminho de fato não é uma preocupação pelas origens... esta é apenas o ponto de partida… Aprendi com o poeta Alberto Lins Caldas que a “poesia nordestina” é o semiárido, o agreste, as zonas da mata, as pequenas cidades, as grandes cidades, o mar, as passagens, as pousadas que se tornariam cidades, as passagens e cruzamentos de rios, estações, explorações, crimes, violências, rememorações, comemorações, maneiras de manter a vida e suas âncoras, a vida e a morte, honras e desonras, pai e mãe, poderes e fraquezas, o que fazer, como dizer, o que escutar, como escutar, o corpo, os corpos, o desejo, os desejos. Escrever para fazer-se escutar e ensinar para criar seu lugar, proteger seu lugar, não apagar o passado, mas torná-lo grande e permanente. Uma maneira de alegria e dor. De fato, o poeta Alberto Lins Caldas sabe traçar um perfil do que é a poesia nordestina.
Ficha técnica
- Autor
- Santana, Francisco Marquelino, Francisco Marquelino Santana
- Editora
- Atena Editora
- Formato
- BOOK
- Encadernação
- Capa comum
- ISBN
- 9786525814698
- EAN
- 9786525814698
- Ano de Publicação
- 2023
- Número de Páginas
- 92
- Dimensões
- 23 x 16 x 1.5 cm
- Peso
- 0.5 kg
- Idioma
- pt-BR
- Edição
- 1
- SKU
- 9786525814698





