Etnocídio e resistência dos povos indígenas - Santana-8%

Sobre o livro

Como podemos identificar o exato momento em que recebemos uma boa notícia? Eu estava amazonicamente, caboclamente deitado em minha rede, quando fui convidado pelo poeta cordelista e meu amigo Francisco Marcelino Santana para fazer o prefácio da trilogia de seu livro Poemas da vida amazônica. Então, no embalo da rede comecei uma viagem para pensar em poesia. E consequentemente, pensar especificamente em poesia nordestina. Procurei por origens, formas, linguagens e tipos. Fui visitar as obras de meus amigos poetas e repentistas pois eu queria entender o que é a poesia nordestina. Apenas puxei pelo fio do novelo e fui cair no universo diverso e rico da poesia. Essa foi uma demorada viagem porque não se faz de uma vez... é devagar... é por aproximação... também é preciso ser aceito. Pude ter acesso a algumas coisas e assim compreender, saborear, me deleitar passo a passo nesta onírica viagem rumo a poesia. A poesia é algo presente no pulsar da vida... É uma forma de olhar o mundo, a natureza e a vida de maneira primordial… A poesia tem rima, ritmo e também não os têm... O que é a poesia então? Simples: é linguagem fluída. É mais ou menos assim: quando penso em Drummond, me revela muito forte a memória e o lugar; já em Shakespeare sinto o despertar para a humanidade... Penso em Zé da Luz e tudo que é atribuído a Zé Limeira e percebo que tudo pode ser recombinado, reestruturado e o que chamo de realidade está livre para ser totalmente subvertida na “poesia do absurdo” onde todas as formas, coisas, naturezas se juntam, conversam e interagem; encontro Patativa do Assaré e vejo o homem sábio que se faz e dialoga com o mundo... Catulo da Paixão Cearense que enxerga as formas de maneira embevecida... Vou visitar meu amigo poeta Alberto Lins Caldas, que com sua poesia entra na escuridão para reencontrar e reacender a chama do humano que existe em cada um de nós… E Cora Coralina? É uma mulher que passa toda uma vida colhendo palavras e no auge de sua vida se autoimortaliza e explode em palavras e encantos... ao encontrar Manoel de Barros sou impactado por suas poesias que destroem qualquer arrogância, posse ou materialidade das “importâncias” e então eu entendo “das desimportâncias do mundo”... Lembro de José Accioly Cavalcante Neto que em seu poema “Natureza das coisas” diz: “a natureza não tem pressa, segue seu compasso, inexoravelmente chega lá”, trazendo para sua sua poesia a palavra “inexoravelmente”... Como trazer uma palavra tão complexa para a poesia? Resposta simples: para a poesia não há limites ou muros, então, tudo se torna inexoravelmente possível... O que é a poesia? Não sei. É expressão clara do espírito, a abrir o peito e mostrar o coração. É o ser humano se decompor em emoções e lágrimas e se reconstruir humanamente mais leve e mais puro. E a poesia nordestina? Seja a “poesia nordestina” ou cordel ou poesia do povo, com sua origem vinda dos mouros e ibéricos, é uma criação própria do Nordeste brasileiro. É a nossa brasileiramente encantada... Me encanta a sonoridade, a posição das palavras… As palavras têm sintonia, se combinam com outras palavras como uma sinfonia. O caminho de fato não é uma preocupação pelas origens... esta é apenas o ponto de partida…

Ficha técnica

Autor
Santana, Francisco Marquelino, Francisco Marquelino Santana
Editora
Atena Editora
Formato
BOOK
ISBN
9786525836553
EAN
9786525836553
Ano de Publicação
2023
Número de Páginas
96
Dimensões
16 x 23 x 0.1 cm
Peso
15 kg
Idioma
pt-BR
Edição
2
SKU
9786525836553

Histórico de preços