É prudente matar um calado: - Lense, Murilo

É prudente matar um calado:

R$ 32,36
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Ano 2021Páginas 78Formato BOOKISBN 9786553610118

Sobre o livro

quando leio um livro de poemas, geralmente dois caminhos se me abrem: ou sinto aquela ânsia em responder a pessoa, como se tudo que está escrito ali fosse destinado a mim numa conversa infinita, ou dá uma espécie de despersonalização, um tipo de barato “eu escrevi isto” – nesse caso autoria é uma rasura e se respondo é a mim mesma, como se estivesse nesse hospital psiquiátrico que é a própria mente cheia de espelhos quebrados que diz “sim a poesia bate-volta, é sua e é minha e é nossa”. o livro de estreia de murilo lense é um híbrido dos dois tipos, abro-o e abro-me: “ao ler poesia// às vezes salto/ as estrofes do meio”, mas aqui não me detenho, continuo indo fundo porque sim “este é um texto livre”, afinal ele sou eu, texto-corpo que pensa, vive, goza, tem ansiedades – tal hora me pergunto “ama?” então não me detenho, sigo sendo poema viva.  e é aí que aparece um outro, um primeiro, um antes de mim, um antes hospital psiquiátrico na cabeça: o cotidiano do autor (a quem quero responder, quero mandar cartinhas e receitas tarja-preta com os poemas portugueses que aparecem aqui e ali nesse livro), um autor escorregadio que se mostra sem se mostrar (a quem quero dizer é mesmo bonito um livro de poemas que se mostra – quase – apenas por seus poemas) e de quem não conhecemos o cotidiano senão por dentro, senão escrito, senão pensamento escrito, sendo simplesmente: poesia. mas, ai, que ele dobra sua própria esquiva e oferece vagamente uns laivos de interior, de seus avós, sotaques, uma nesga de infância. porque escrever, mesmo a coisa mais ficcional e fantasiosa e impossível, é mostrar-se. “é prudente matar um calado”, oferecer um livro onde não se ser, mas estrelar-se nas multidões. e é na leitura que isso é possível, por isso volto a ser dona desse livro, dessa poesia. junto de legiões, oxalá. porque sonhamos, “desmímicamos”. nina rizzi ______________________________________ Li numa revista científica que sou falso-calmo que não suporto pessoas lentas nas marquises e que dentro do meu beija-preguiça há um coração de bicho-flor – anseia por chegar logo ao fim do poema.   A verdade é que eu preferiria ser  um calmo-calmo mas como a revista científica disse que não sou deixo-vos aqui algumas vexaminosas confissões

Ficha técnica

Autor
Lense, Murilo, Murilo Lense
Editora
Kotter Editorial
Formato
BOOK
Encadernação
Capa comum
ISBN
9786553610118
EAN
9786553610118
Ano de Publicação
2021
Número de Páginas
78
Dimensões
17 x 13 x 1 cm
Peso
0.14 kg
Idioma
pt-BR
Edição
1
SKU
b557058f5325

Histórico de preços

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