
Dois carcarás
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Sobre o livro
Nos versos de Leandro Durazzo, em Dois carcarás, uma fauna discreta dança à volta do leitor: passeiam pelas páginas os carcarás do título, mas também cabras, morcegos, muriçocas, gatas, escorpiões, libélulas, iguanas, pombas, aranhas, arapuás, beija-flores. Os bichos estão por todos os lados e, de repente, a casa está irremediavelmente aberta: a casa é o mundo. Faz-se mundo. E é muito frágil qualquer linha que tentemos traçar, aqui, entre natureza e civilização: “por meus livros já passaram/ lesmas, formigas, moscas,/ vespas e traças: há toda uma cultura/ em seus trajetos, toda uma/ literatura”. É uma voz calma, sem espanto, que nos fala nesses versos curtos, enquanto se descobre tão “selvagem” quanto suas pequenas visitas, que não têm pressa. Parecem ter vindo para ficar — e seu jeito de ficar é nos fazer ver que “a vida é uma”. Já não é possível reconhecer fronteiras: “meu sangue,/ que a muriçoca guarda,/ será meu/ ou da muriçoca?”. Os poemas de Durazzo flagram cenas independentes, pequenos flashes da vida selvagem entrando por todos os poros do dia, mas estão profundamente conectados, como as fotos tiradas numa mesma viagem — todas únicas, mas inseparáveis —, que devolvem a experiência num outro tempo à memória. E quem nos guia (e desvia) por esses caminhos é alguém que já não pode mais se reconhecer senão como um bicho entre os outros: “animal/ nas ranhuras do tempo,/ eu me arrasto// nem garras, nem gana,/ nem penas:/ fado// e um certo medo/ que toda vida extingue”.
Ficha técnica
- Autor
- Leandro Durazzo
- Editora
- Editora Fósforo
- Formato
- BOOK
- Encadernação
- Capa comum
- ISBN
- 9786561390651
- EAN
- 9786561390651
- Ano de Publicação
- 2025
- Número de Páginas
- 40
- Dimensões
- 20 x 13.5 x 1 cm
- Peso
- 0.08 kg
- Idioma
- pt-BR
- Edição
- 1