
Cicatrizes da Rua
Sobre o livro
"Meu nome é Michelle Aparecida Marques dos Santos. Nasci em 7 de abril de 1983, em Porto Alegre. Este livro conta a minha vida nas ruas, as minhas histórias que me marcaram como cicatrizes inapagáveis, e uma vida nada fácil que eu tive. Eu gostaria que este livro inspirasse jovens e adolescentes a pensarem 10 vezes antes de entrar no mundo das drogas, até mesmo as sintéticas e legais como os comprimidos, álcool e fumo. Porque depois de entrar é muito difícil sair." O livro Cicatrizes da rua de Michelle Aparecida Marques dos Santos, descortina a realidade da exclusão de moradores de rua e usuários de drogas, nos becos, nas vielas, nas ruas das cidades e capitais. A sua escrita é potente, contundente, de frases rápidas e diretas. A narradora mostra o cotidiano de uma população que perambula pelas encruzas, na busca de saciar a sua fome e sede através das drogas. Mas como transformar essa cena trágica limítrofe da humanidade perdida? As palavras brotam e mostram que outro mundo é possível. Os encontros com outras rotas viabilizam oportunidades, pessoas, entidades, mas antes de mais nada a própria vontade do pulsar da vida encontrar o seu próprio caminhar. É na sua arte da escrita que Michelle vislumbra o seu processo de retornar ao passado para ter chance no futuro, como uma Adinkra (Sankofa)*, é necessário olhar para trás com o corpo voltado para frente e só assim valorizar o presente e seguir o seu caminho. Foi necessário tempo para não repetir algumas desventuras e materializar uma escrita que pudesse contar a sua história. Michelle buscou em sua memória fatos relevantes desde a sua infância até a vida adulta. Personagens e instituições passeiam pelas páginas do seu primeiro livro, que com certeza ajudaram a construir essa mulher tijolo a tijolo. Ah, mas a Michelle narrou a sua história, com as suas feridas que sangraram muito e que cicatrizaram a ferro e a fogo e outras vezes com amor, com afeto, com discernimento, com esperança. A autora contou que em certo momento parou os seus estudos na quinta série e que somente retomou quando adulta, então, uma porta se abriu e surgiu uma oportunidade em um jornal, o Boca de Rua. Passou por toda a cadeia produtiva: organização, reportagem, fotografia, produção, venda e principalmente a escrita. O poder da palavra se manifesta e ao mesmo tempo é uma mulher que nunca desistiu do amor. A busca incessante do seu lugar, do seu estar em um meio preconceituoso e violento não foi fácil. Viveu muitos anos difíceis como dependente química, mas podemos perceber a sua potência em sua escrita narrada em primeira pessoa. O leitor observará o quanto ela escreve bem, as suas colocações pontuais, as situações das mais variadas e muitas vezes constrangedoras, ameaçadoras, tristes, até, mas ao mesmo tempo Michelle consegue embalar o leitor na alegria que a escrita lhe causa, o primeiro “rap”, as reportagens, as entrevistas, o jornal Boca de Rua. A escrita em movimento, por causa justa e coletiva. O livro narra a busca constante por sobrevivência, sair de um lugar impróprio para a sua vida, assim como de irmãos, familiares, amigos... alguns não tiveram tempo e morreram. Michelle tem sede de vida e mais do que isso, através da escrita, a sede se revela. A escrita afiada dialoga com a autora e demonstra que as drogas não têm mais espaço na sua trajetória. A “escrita de si” de Michelle torna-se veículo para que outros que ainda vivem nas ruas sem perspectivas possam se inspirar e buscar outros caminhos. A autora no percurso teve ajuda de amigos próximos, familiares, apoiadores, mas o primeiro passo é o querer de cada um e Michelle quis. Infelizmente, algumas pessoas desqualificam a “escrita de si”, no entanto a profundidade, a riqueza de detalhes, o vocabulário extremamente adequado a cada relato em tudo que ela passou só demonstra que é um livro que deve ser difundido, distribuído nas mais variadas instâncias. Assim mais pessoas poderão entender que o pulsar da vida está em cada um de nós e que é possível, desde que haja um meio acolhedor, um olhar receptivo, com ecofatores positivos. Temos aqui uma escritora. A nossa querida Carolina Maria de Jesus, que escrevia depois que chegava do seu trabalho, era catadora de lixo, hoje seria uma recicladora, dizia: – Eu sou uma escritora. Pois bem, Michelle, nesse momento, pode se colocar como uma escritora, com a sua escrita potente, não ficcional. A sua narrativa traz a carga de tantas outras pessoas que passaram e que passam até hoje pelo desprezo da nossa sociedade, pelo seu nível social, pela sua dependência química e pelo seu gênero. Michelle Aparecida é uma escritora. Que cada leitora e leitor possa se dar a chance de experimentar e vivenciar a leitura de Cicatrizes da rua, com a certeza de estar compartilhando de uma história que tem potência e grande significado. Cicatrizes guardam memórias, um baú aberto de muitas lutas que traçam vitórias. Boa leitura. Lilian Rocha Analista clínica, escritora, poeta, musicista Vice-presidenta social da Associação Gaúcha de Escritores Conselheira da Associação Negra de Cultura
Ficha técnica
- Autor
- Michelle Aparecida Marques dos Santos, SANTOS, MICHELLE APARECIDA MARQUES DOS
- Editora
- Libretos
- Formato
- BOOK
- Encadernação
- Capa comum
- ISBN
- 9788555490859
- EAN
- 9788555490859
- Ano de Publicação
- 2025
- Número de Páginas
- 120
- Dimensões
- 18.5 x 12.5 x 0.6 cm
- Peso
- 0.134 kg
- Idioma
- pt-BR
- Edição
- 1





