Camille Kachani, o exílio como motor da obra: - Herkenhoff, Paulo

Camille Kachani, o exílio como motor da obra:

R$ 168,00
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Ano 2023Páginas 200Formato BOOKISBN 9786556911038

Sobre o livro

Camille Kachani, o exílio como motor da obra reúne trabalhos produzidos ao longo da trajetória de trinta anos de carreira do artista, acompanhadas de um ensaio do curador e crítico Paulo Herkenhoff. Mesclando escultura, colagem e desenho, a prática artística de Kachani investiga a transformação da natureza ao conferir novas leituras a elementos cotidianos, que perdem suas funções previamente estabelecidas ao se tornarem novos e singulares artefatos híbridos. Enormes moscas ou caçambas de lixo de pelúcia, galhos crescendo de livros ou de instrumentos musicais, desenhos formados por goma de mascar ou pó de café e leite fazem parte desse universo criado pelo artista. A arte de Kachani, dessa forma, desconstrói certezas e abala convicções, explorando conceitos como identidade, pertencimento, cultura e movimento. Como descreve Herkenhoff, Camille Kachani faz parte de um selecionado conjunto de artistas filósofos contemporâneos que entendem a arte como “um processo conceitual denso e sólido”. Para o autor, “o extenso universo da produção de Kachani envolve assuntos tão díspares como o abjeto e a fenomenologia da música, a guerra e as moscas, uma dimensão babélica da linguagem e a história a contrapelo benjaminiana, a felação e um piano, a misantropia e um violino, afetividade e granadas, racismo e memória, Nietzsche e Lispector, o estranhamento e a vegetação.” Essas aproximações levam as reflexões de Herkenhoff para os campos da filosofia, linguística, psicanálise, ciências políticas e religião, na tentativa de alcançar o complexo corpus kachaniano, repleto de sentidos, símbolos e significados. Trecho: “O que é um livro de artista? A bibliotheca kachaniana leva à indagação sobre o que é um livro para um artista, o que é seu estatuto de obra de arte, o que é sua estrutura material. São muitas as respostas e, dependendo da experiência mais restrita ou mais expandida do conceito, elas podem ser: o livro de arte, o livro ilustrado, o fac-símile e o livro de artista propriamente dito, o quase-livro, o pseudo-livro, o objeto-livro, o livro-jardim, o livro-objeto, o não livro — estas últimas formas são conjugadamente mais próximas das operações bibliológicas de Camille Kachani. Em parte, seus livros-jardim são assimbólicos porque eles não atribuem um significado especial “na escolha das plantas que se espraiam sobre o livro, além de uma busca pelo equilíbrio estético-formal”. No entanto, elas indicam uma dimensão ecológica que apontam para a ecosofia de Félix Guattari (ecologia subjetiva, ecologia social e ecologia ambiental) e a literatura de Clarice Lispector de Água viva: “meu estado é o de jardim, com água corrente”, que aqui é aproximado dos livros-jardim de Kachani”. Sobre o artista Camille Kachani nasceu em Beirute na década de 1960, aportando no Brasil em 1971, fugido da guerra no Líbano. Estudou fotografia, pintura e escultura e começou a trabalhar como fotógrafo de natureza. Aos poucos, migrou para um procedimento misto com imagem, colagem e escultura. Seu trabalho trata de conceitos como identidade e pertencimento, sugerindo, a partir de referências autobiográficas, que estes se formam a partir da aquisição de cultura, num movimento de construção/dissolução eternos. Propõe a tese que cultura e natureza são hoje indissociáveis, formando assim o corpus do ser humano contemporâneo, ideia que irá nortear sua produção nos últimos anos. Kachani tem obras nos acervos dos principais museus do Brasil e em coleções dentro e fora do país. Sobre o autor Paulo Herkenhoff nasceu em 1949, em Cachoeiro de Itapemirim, no Espírito Santo. Vive e trabalha no Rio de Janeiro. É curador e crítico de arte. Entre 1985 e 1990, foi curador-chefe do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio). Em 1997, foi responsável pela curadoria do pavilhão brasileiro na 47ª Bienal de Veneza e, em 1998, foi o curador da 24ª Bienal de São Paulo – conhecida como a Bienal da Antropofagia. Foi curador-adjunto do Departamento de Pintura e Escultura do Museum of Modern Art (MoMA) de Nova York, de 1999 a 2002, um dos poucos brasileiros a ocupar esse cargo na instituição. No ano seguinte, foi diretor do Museu Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro, cargo que ocupou durante três anos. Em 2007, integrou o comitê de escolha do curador da Documenta 12. Herkenhoff foi o primeiro diretor cultural do Museu de Arte do Rio (MAR), fundado em março de 2013, na região portuária da cidade, no qual ficou até 2016. Foi também titular, em 2019 e 2020, da Cátedra Olavo Setubal de Arte, Cultura e Ciência do Instituto de Estudos Avançados da USP. Um dos críticos e pensadores mais relevantes do país, fez palestras em várias universidades e publicou artigos em diversas revistas, catálogos de exposições e livros de instituições, incluindo a Tate Modern (Londres), o Centre Georges Pompidou (Paris), a Fundación Antoni Tàpies (Barcelona), além da Universidade Harvard e do Studio Museum Harlem, nos Estados Unidos. Produziu livros de artistas contemporâneos, como Cildo Meireles, Maria Leontina, Antonio Dias e Beatriz Milhazes, e foi autor de produções importantes com olhar renovador sobre a arte, como O Brasil e os holandeses 1630-1654; Arte brasileira na coleção Fadel; e Biblioteca Nacional, a história uma coleção. Nos últimos anos, liderou a valorização da participação de artistas negros nas coleções dos grandes museus.

Ficha técnica

Autor
Herkenhoff, Paulo, Paulo Herkenhoff
Editora
Editora Cobogó
Formato
BOOK
ISBN
9786556911038
EAN
9786556911038
Ano de Publicação
2023
Número de Páginas
200
Dimensões
28 x 22 x 2.3 cm
Peso
1.2 kg
Idioma
pt-BR
Edição
1
SKU
66aa858900ee

Histórico de preços

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