Pedro Fiori
Gentrificação na cidade de São Paulo designa processos de revalorização imobiliária e socioespacial acompanhados por substituição de moradores, mudanças no uso do solo e reconfiguração de centralidades urbanas, vinculados a ciclos de investimento público e privado, financeirização do território e transformações culturais e de consumo. O fenômeno, conceituado por Ruth Glass nos anos 1960 e posteriormente desenvolvido por Neil Smith e Sharon Zukin, ganha no contexto paulistano especificidades associadas às operações urbanas consorciadas, aos instrumentos de captação de mais-valias (como CEPACs), à implantação de infraestrutura de transporte e à reestruturação econômica metropolitana desde a desindustrialização dos anos 1970–1990. No campo acadêmico, gentrificação refere-se a dinâmicas de reinvestimento em áreas urbanas centrais ou adjacentes, elevando preços de terra e aluguel e alterando a composição social e o tecido comercial. Em São Paulo, os debates articulam o conceito às estratégias de “cidade global”, à produção de novas centralidades corporativas (eixo sudoeste) e à mercantilização de bairros com forte capital simbólico, a partir de políticas e mercados que transferem renda fundiária para agentes financeiros e imobiliários.
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