José Antônio Francisco
José António Maria Francisco Xavier de Sá Pereira Coutinho (Ponte de Lima, 29 de Abril de 1896 – Ponte de Lima, 3 de Maio de 1969), assinava as suas obras como Conde d'Aurora por o ser como filho único do 2.º conde de Aurora, foi um escritor português e licenciou-se em Direito pela Universidade de Coimbra. Nasceu a 29 de Abril de 1896, em Ponte de Lima, na Casa de Nossa Senhora de Aurora, e faleceu no Porto a 3 de Maio de 1969. Exerceu, no Porto, as funções de juiz do Tribunal de Trabalho. Era convictamente católico, monárquico e tradicionalista. Em 1919, por se opor ao regime republicano exilou-se por motivos políticos que se prenderam com a revolução que foi conhecida como Monarquia do Norte, tendo vivido em Espanha, no Brasil e na Argentina. Fundou em 1921 o jornal Pregão Real e dirige a Liga Agrária do Norte. Por intermédio da acção de António Ferro, juntamente com João Ameal e outros mais, durante a governação do Estado Novo, em 1935, foi convidado a fazer parte do conselho directivo da Liga de Acção Universal Corporativa. A sua obra, repartida em vários géneros, é uma devotada defesa do tradicionalismo cultural, empreendida nos moldes formais do realismo literário. Roteirista e realista de indiscutível mérito, escreveu uma monografia histórica da Ribeira-Lima e um curioso itinerário romântico do Porto. Como ficcionista, publicou O Pinto, em 1935, trabalho que obteve o prémio de romance Eça de Queiroz e onde são desfibradas as particularidades do caciqueirismo político liberal, deu-lhe um lugar de pioneiro na reapreensão contemporânea do magistério realista. Representante esclarecido de uma geração amadurecida nos tempos da 1.ª República, é também uma figura indissociável do mais entranhado nacionalismo e anti-liberalismo. O Minho e Douro Litoral devem-lhe assinalados serviços pelo conhecimento que deles temos, hoje, pela sua obra.
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