Arroz queimado: - Canhoto, Vinícius (Autor), Lazzarini, Alberto

Arroz queimado:

Ano 2023Páginas 456Formato BOOKISBN 9786553612402

Sobre o livro

Arroz Queimado (ou Memórias de minha loucura) de Vinícius Canhoto & Alberto Lazzarini é um romance “cinematográfico”. Perturbador e comovente, suas seqüências são tomadas “ao vivo”, em uma montagem dadaísta de fragmentos de desejos, projetos, rupturas da subjetividade, em que o narrador transita a personagem e as personagens à ficção dentro da ficção. Mitologias, estrangeirismos, história individual e coletiva, vigários, “americanização” dos costumes, reclames antigos de pamonhas, a insolação das telas de Van Gogh entrecruzam-se com o arroz queimado, telefonemas nervosos, telenovelas, em uma dramaturgia que os converte em labirinto de uma história a ser escrita e que já é escrita na indeterminação do agora. Embaralhando a continuidade temporal, tudo já aconteceu, vai acontecer e está acontecendo. Se o arroz queimou na panela, foi por que que o tempo se demorou e se excedeu. Tempo da acídia, dos “demônios do meio-dia”, da loucura, é o tempo da comédia humana alegorizada no vilarejo de Santa Fé, renomeado, em tempos de secularização do mundo, de Brigitte Bardot que “apesar do nome, nunca teve ou teria cinema”. E o prefeito que era chamado “de pai-de-santo” porque “apenas fazia trabalhos no centro da cidade”. Não por acaso, neste livro, o humor inteligente faz da loucura um logos, o da lucidez que enfrenta o tempo que saiu dos gonzos: trabalho alienado, amores desencontrados, traição, vendetta, esperanças decepcionadas, tudo vai dar no manicômio: “as portas se abriram como um grande abraço.” Microcosmo, o hospício é um panóptico cujo vigia central é um psiquiatra com delírio de poder, em que o encarcerado concentra as dores de todos, na co-presença de códigos antinômicos, o do luto e do lúdico: “quero esquecer todas as humilhações que passei, como o Santos sem o Pelé”. No manicômio, a loucura protege a liberdade, porque a razão pode estar fora do centro. Se todos os caminhos levam ao manicômio, as estradas de ferro “não levam a lugar nenhum”. Tão somente nessa atopia, o mundo desconcertante poderia se expressar, nesse entre-meio mágico e realista que procura o mistério das filiações. Narração de um apocalipse, “o silêncio antecede à explosão dos mundos.” Se o arroz queimado evoca o tempo perdido, a memória da loucura é a do tempo que se encontrou ou se perdeu? Este r0omance respeita o enigma. Olgária Chain Feres Matos: professora de Filosofia (UNIFESP e USP), autora de Discretas Esperanças; Filosofia: a polifonia da razão; O iluminismo visionário; Os arcanos do inteiramente outro; Paris, 1968: As barricadas do desejo; entre outros. ***

Ficha técnica

Autor
Canhoto, Vinícius (Autor), Lazzarini, Alberto, Vinícius Canhoto, Alberto Lazzarini
Editora
Kotter Editorial
Formato
BOOK
ISBN
9786553612402
EAN
9786553612402
Ano de Publicação
2023
Número de Páginas
456
Dimensões
23 x 16 x 5 cm
Peso
0.65 kg
Idioma
pt-BR
Edição
1
SKU
93bb9f5845a6

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