A estrangeira: - Souza, Joyce Karine de Sá

A estrangeira:

R$ 17,90
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Ano 2022Páginas 88Formato BOOKISBN 9786553611412

Sobre o livro

*** Muitos dos versos de A estrangeira não brotam de um manancial sereno. Emergem de uma fonte de ira e maldição, porque “este mundo do homem está mal feito”, Jorge Guillén dixit. Outros nascem da ternura e do amor, tanto de quem identificamos com a pessoa do eu poético [“Amei-te demais, / fui à loucura e não voltei…”] como de outras amantes, especialmente Lou, apaixonada por Rilke. Joyce Karine de Sá Souza, nos poemas de ira, escreve a machadadas, em um discurso entrecortado, “aberto o peito / contra o vento”, com verdades amputadas pelas injustiças da existência. Cidadã do mundo, pária, solidária com os humilhados, a estrangeira sabe que ficar em um só lugar não lhe é possível.  A poeta de Belo Horizonte não oculta seus gostos poéticos. Ela os declara nos versos do extraordinário Poeta-me: “Borges-me, / Cortázar-me inteira…” E chega assim a dezesseis nomes. O leitor encontrará nos poemas de ira e maldição palavras pesadas, cheirando a suor, a lágrima, a escarro – “escrevo como cuspo”, dizia Blas de Otero. São versos de rua, contra o céu e seus representantes na terra, os Trumps e todos os tiranos. Como somos apenas “física e química”, gosto de rastrear as metáforas do corpo nos discursos dos poetas, sejam implícitas ou explícitas. E aqui temos uma poeta que percebe a carne de modo pagão. Cito algumas figuras: fratura no peito, sexo, a ponta da língua, o fluxo da saliva, lábios, vinho amargo, peles, cabelos, olhos, falos, medula espinhal. É impossível listar neste breve espaço tudo o que me sugere a leitura da poeta.  Até agora eu conhecia menos de uma dezena de poemas de Joyce Karine de Sá Souza e, sabendo de sua qualidade, a considerava uma poeta tímida. Mas agora, de repente, se alça diante de nós com uma voz firme, segura, sem pontos baixos, que domina o ofício: mestra no ritmo, nas imagens, nas aliterações, nos enjambements métricos, ela nos ensina que a pressa de publicar é uma má conselheira. Francisco Álvarez Velasco *** Joyce Karine de Sá Souza sabe que nada há de mais mutante que a carne. Assim, ao invés de um “lugar de fala”, ela se (des)constrói em um “lugar de falta”. É isso que lhe permite escrever um poema em prosa como A virgem louca e o esposo infernal sem ser homem, sem ser homossexual, sem ser francesa, sem ser nascida no século XIX. A grande saúde da poesia está então nessa intensa doação de alteridade, a otredad de que falava Octavio Paz, sem a qual o que existe são apenas monólogos sobre si mesmo, ou seja, as chatérrimas “notícias sobre a província distante de minh’alma” que os turistas adoram escrever e que só agradam a eles próprios e a suas orgulhosas mamães. Tais “notícias”, além de tediosas e autocomplacentes, são perfeitamente inúteis enquanto poesia. Ao seu turno, Joyce Karine de Sá Souza sabe muito bem que a verdade poética está na transmutação e no tornar-se outro, e sabe também que só pode fazê-lo porque seu lugar é um radical não-lugar, uma essencial desessencialização, uma incógnita terra outra que, como estrangeira, ela busca dentro de si e no mundo. Andityas Soares de Moura Costa Matos Trecho do Prefácio “Lugar de falta: um corpo estranho na poesia” ***

Ficha técnica

Autor
Souza, Joyce Karine de Sá, Joyce Karine de Sá Souza
Editora
Kotter Editorial
Formato
BOOK
ISBN
9786553611412
EAN
9786553611412
Ano de Publicação
2022
Número de Páginas
88
Dimensões
23 x 16 x 1 cm
Peso
0.1 kg
Idioma
pt-BR
Edição
1
SKU
610a4185346a

Histórico de preços