A Banca Islâmica - Martins

A Banca Islâmica

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Ano 2025Páginas 202Formato BOOKISBN 9788541404600

Sobre o livro

Qualitymark Editora anuncia o lançamento da segunda edição de A Banca Islâmica, de Ângela Martins, primeiro manual completo ‘publicado em português que desvenda os fundamentos, as estruturas e as oportunidades do sistema financeiro islâmico, confrontando-o com a banca tradicional baseada em juros. Este volume pioneiro apresenta, de forma didática e detalhada, a filosofia que rege as operações “sem riba” (juros), o compartilhamento de lucros e perdas e a compatibilidade com os preceitos da Shariah. Voltado a empresários, profissionais de finanças e autoridades regulatórias, o livro mostra por que o mercado islâmico já movimenta cerca de US$ 3 trilhões e projeta-se em franco crescimento global. Um livro que pode ser o vetor transformador da economia, com práticas sem juros. As principais diferenças decorrem dos princípios jurídicos e éticos que regem cada sistema. Eis o que muda quando comparamos bancas islâmica e tradicional: 1. Remuneração do capital o Islâmica: proíbe cobrança ou pagamento de juros (riba). O banco só lucra via contratos de compra e venda ou parcerias de risco, dividindo resultados com o cliente. o Tradicional: cobra juros sobre empréstimos; paga juros sobre depósitos. 2. Compartilhamento de riscos e resultados o Islâmica: contratos como mudaraba (investidor + gestor) e musharaka (joint venture) obrigam banco e cliente a dividirem lucros e perdas. o Tradicional: regra geral de empréstimo sem partilha de perdas; banco assume apenas risco de crédito. 3. Ativos como lastro o Islâmica: todo financiamento deve estar atrelado a um ativo real (comércio, indústria, agricultura, arrendamento). o Tradicional: pode haver empréstimo “puro”, baseado na confiança de pagamento futuro, sem garantia em ativo específico. 4. Produtos específicos o Islâmica:  Murabaha – banco compra mercadoria e revende com margem de lucro predefinida.  Ijara – leasing em que o cliente paga aluguel por uso do bem.  Sukuk – títulos de dívida lastreados em ativos, alternativa islâmica ao bond. o Tradicional:  Crédito direto a juros;  Leasing financeiro;  Debêntures e bonds sem vínculo obrigatoriamente em ativos tangíveis. 5. Restrições éticas o Islâmica: vetos a setores como bebidas alcoólicas, jogos de azar, tabaco, pornografia, armas, atividades especulativas (gharar). o Tradicional: não costuma haver exclusões por ramo de atividade além do que a regulação vigente estabelece. 6. Governança e compliance o Islâmica: comitês de Shariah internos revisam e aprovam cada produto para garantir conformidade à lei islâmica. o Tradicional: comitês de risco, auditoria e compliance obedecem normas bancárias e regulações financeiras nacionais. 7. Contas de clientes o Islâmica:  Conta corrente – depósito livre, sem remuneração;  Conta de investimento – dividem-se lucros e perdas conforme regras acordadas. o Tradicional: conta corrente (sem juros) e conta poupança/CDB (com juros), em geral garantidos até certo limite. 8. Incentivo à atividade produtiva o Islâmica: só financia negócios que gerem valor real e emprego, afastando-se de operações puramente especulativas. o Tradicional: pode oferecer linhas de crédito mesmo quando não há lastro produtivo – foco no valor do dinheiro no tempo. Em resumo, a banca islâmica substitui a lógica “dinheiro que gera dinheiro” por uma lógica de “dinheiro que impulsiona atividade econômica”, regulada por normas religiosas e ética estrita, enquanto a banca tradicional baseia-se na cobrança de juros e no manejo de riscos de crédito dentro de um arcabouço puramente financeiro. Na banca islâmica, o financiamento de projetos é feito sem recorrer a juros, substituindo dívidas por estruturas baseadas em ativos reais e compartilhamento de risco. Eis as principais modalidades: 1. Musharaka (Parceria de Capital) • Banco e patrocinador aportam capital em proporção acordada. • Os lucros do projeto são divididos conforme a porcentagem de aporte; as perdas, na mesma proporção do capital investido. • Sem garantia de retorno fixo – incentiva governança compartilhada e alinhamento de interesses. 2. Mudaraba (Parceria Gestor–Investidor) • Banco é o investidor (dona do capital) e o patrocinador do projeto é o gestor (Mudarib). • Lucros repartidos segundo a taxa acordada; perdas arcadas integralmente pelo investidor, salvo negligência do gestor. • Indicado para projetos em que uma das partes detém todo o know-how operacional. 3. Istisna’a (Encomenda de Construção) • Contrato de manufatura: o banco financia a construção de ativos (fábricas, usinas, estradas). • Pagamentos são feitos em parcelas, conforme hitos de execução, ou por antecipação (bay‘ salam). • Ao final, o empreendedor recebe o ativo concluído ou o vende ao patrocinador, que assume a propriedade. 4. Ijara (Leasing de Longo Prazo) • Banco compra o bem necessário ao projeto (máquinas, equipamentos, imóveis) e o arrenda ao patrocinador. • Pagamento de aluguéis fixos ou escalonados; ao fim do contrato, pode haver opção de compra (Ijara wa-Iqtina). • Permite pleno uso do ativo sem comprometer o fluxo de caixa inicial. 5. Sukuk (Títulos Lastreados em Projetos) • São certificados proporcionais de propriedade sobre ativos ou fluxos de caixa do projeto. • Emissor (SPV) vende o ativo ao portador do sukuk e repassa os pagamentos gerados pelo projeto. • Abre caminho para captar recursos no mercado de capitais em moeda forte. Comparação com o modelo convencional • Juros x Rendimento Variável: na banca tradicional, o projeto é geralmente 100% financiado por dívidas remuneradas a juros fixos ou flutuantes; na banca islâmica, o retorno não é pré-garantido, mas sim vinculado ao desempenho real do empreendimento. • Garantias e colaterais: no sistema convencional, o banco exige colaterais robustos para reduzir risco; na banca islâmica, o colateral existe (ativo do projeto), mas o foco maior é o alinhamento de interesses via participação nos resultados. • Compliance Ético: projetos como usinas de energia limpa, saneamento e habitação social costumam ser priorizados na banca islâmica, evitando setores proibidos pela Shariah (jogos de azar, álcool, armamentos). Ao distribuir riscos e resultados entre banco e empreendedor, o financiamento islâmico de projetos promove maior cooperação, transparência e incentiva o uso de ativos reais para gerar riqueza sustentável. Veja como a banca islâmica já apoia grandes empreendimentos mundo afora: 1. Makkah Mass Rail Transit (Arábia Saudita) • Quem financiou: Banco Islâmico de Desenvolvimento (IsDB) via contrato Istisna’a. • O que é: linha de metrô de alta capacidade conectando as duas mesquitas sagradas em Meca. • Estrutura: IsDB contratou a obra com um consórcio de construtoras e repassou à Saudi Railway Company, parcelando o pagamento em marcos de obra. 2. Petronas Twin Towers (Malásia) • Quem financiou: Petronas, emissora do primeiro sukuk corporativo do mundo (2002). • O que é: arranha-céus gêmeos, ícones de Kuala Lumpur. • Estrutura: sukuk Salam de RM 1,5 bilhão, em que investidores compraram antecipadamente petróleo e gás da Petronas, que usou o caixa para o projeto. 3. King Abdullah Economic City (Arábia Saudita) • Quem financiou: AGFUND (Fundo Islâmico de Solidariedade) e bancos islâmicos regionais. • O que é: cidade planejada de uso misto para até 2 milhões de habitantes. • Estrutura: mistura de musharaka (joint-venture de capital) e sukuk para infraestrutura viária, portuária e residencial. 4. MRT Linha 2 – Putrajaya–Kwasa Damansara (Malásia) • Quem financiou: Khazanah Nasional Berhad e Dana Infra, com 30% em sukuk governamental. • O que é: extensão do sistema de trem rápido de Kuala Lumpur. • Estrutura: combinação de empréstimos convencionais e sukuk Ijara, garantindo prazo e custo compatíveis à Shariah. 5. Refinaria Al Zour (Kuwait) • Quem financiou: Kuwait Petroleum Corporation e consórcio de bancos islâmicos (por ex. Kuwait Finance House). • O que é: uma das maiores refinarias a nível mundial. • Estrutura: contratos Istisna’a para construção + sukuk para captação de US$ 10 bi em moeda forte. 6. Rodovia Lagos–Ibadan (Nigéria) • Quem financiou: Federação da Nigéria, via sukuk soberano. • O que é: duplicação e modernização de 126 km da rodovia de maior tráfego na África Ocidental. • Estrutura: sukuk de US$ 500 mi, lastreados em receitas de pedágio, com rating A– e fluxo de caixa previsível. 7. Projeto Eólico de Ouarzazate (Marrocos) • Quem financiou: Banque Marocaine du Commerce Extérieur (BMCE), participações de instituições islâmicas. • O que é: complexo de parques eólicos de 200 MW. • Estrutura: mudaraba entre BMCE (gestor) e investidores estrangeiros (capital), dividindo ganhos conforme performance de geração. 8. Universidade Islâmica e hospitais em Daca (Bangladesh) • Quem financiou: Islami Bank Bangladesh, via mudaraba e qard hasan para doações. • O que é: campus universitário e rede de clínicas comunitárias. • Estrutura: mudaraba para construir e operar instalações; qard hasan para oferta de serviços gratuitos a famílias de baixa renda. Esses são apenas alguns casos: hoje, projetos de transportes, energia, habitação e até ensino superior usam estruturas sem juros, participando risco e retorno, garantindo compliance à Shariah e atraindo capitais globais.

Ficha técnica

Autor
Martins, Angela, Angela Martins, Martins, Angela
Editora
Qualitymark
Formato
BOOK
Encadernação
Capa comum
ISBN
9788541404600
EAN
9788541404600
Ano de Publicação
2025
Número de Páginas
202
Dimensões
23 x 16 x 2 cm
Peso
0.3 kg
Idioma
pt-BR
Edição
2
SKU
9788541404600

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